O jornalismo e as novas relações de trabalho


Um amigo jornalista certa vez me perguntou: o que faço para arrumar um bom emprego? Confesso que fiquei sem ter o que dizer na hora. Primeiro,  porque é preciso definir alguns conceitos: o que é emprego e o que é trabalho. Segundo, porque a idéia de emprego vem sofrendo uma mutação fantástica neste início de século. Despedimo-nos sem muito que falar, mas como grandes reflexões, cada um com a sua. Ele, talvez, pensando que eu estivesse na postura de reserva de mercado, com medo da pergunta dele.
Eu comecei a refletir nas inúmeras inquietações que assolam os profissionais de comunicação, tanto os recém formados quanto os que labutam diariamente sem uma empregabilidade adequada, muitas vezes submetendo-se às condições precárias de gestão da profissão que escolheu.

De acordo com a definição do Dicionário do Pensamento Social do Século XX, trabalho é o esforço humano dotado de um propósito e envolve a transformação da natureza através do dispêndio de capacidades físicas e mentais.

Emprego, porém, é a relação, estável, e mais ou menos duradoura, que existe entre quem organiza o trabalho e quem realiza o trabalho. É uma espécie de contrato no qual o possuidor dos meios de produção paga pelo trabalho de outros, que não são possuidores do meio de produção.

São diante dessas definições, que inúmeros especialistas discutem há muito tempo as velhas relações de trabalham. Para a maioria, elas estão desfocadas das necessidades empresarias da atualidade, oferecendo um grande e complexo campo para discussão e alterações significativas na relação capital x trabalho.

Não é preciso ser especialista em gestão de recursos humanos para verificar que as mudanças no mercado de trabalho nos últimos anos transformaram as redações das empresas jornalísticas, assessorias de imprensa e de comunicação. O que vem contribuindo para que centenas de profissionais fiquem sem “emprego”, é a noção da empregabilidade como segurança, a busca frenética por um espaço que seja "para sempre", e que de fato não é. Nada é para sempre nesse mundo.  Há aqueles que preferem estar empregados, seguros, mas totalmente infelizes no que fazem. São os concursados que preferiram estar livres, mas temem as consequências da liberdade. Muitos desses vão ao emprego obrigado e não pelo prazer que a ocupação proporciona, pelos desafios diários das funções que desempenham. Há,  também, os que se lançam diariamente em novos “Jobs”, mas não se prendem a nenhum emprego estável. Para esses, o importante é a ocupação contínua, as oportunidades variadas e o aprendizado constante com novas idéias e possibilidades.

Os novos ambientes empresariais foram afetados pela informatização e os novos processos de racionalização e redução de custos limitaram o crescimento dos postos de empregos fixos, apesar do crescimento no número de veículos impressos, televisivos e agências de comunicação. Surge então um fato interessante: quanto mais empresas de comunicação aparecem, mais os empregos formalizados desaparecem. Nesse processo, o aumento no número de prestação de serviços freelance para atender às novas configurações das redações e aos novos meios de comunicação virtuais cresce. Surgem os jornalistas empreendedores, que se formalizam para prestar serviços não apenas para um "patrão", mas para vários "clientes".

Esse novo modelo de gestão da carreira acaba exigindo que os profissionais se esforcem ainda mais para se atualizarem, ampliando a concorrência e eliminando, de fato, aqueles que só querem ficar atrás de um birô, escrevendo velhas idéias, reeditando antigos conceitos, mas morrendo de medo de perderem a segurança. Mas quem está seguro?

Hoje, em plena era da informação, a capacidade de garimpar dados, pesquisar e abrir portas oferece aos profissionais de comunicação, especialmente aos jornalistas, inúmeras oportunidades de atuação independente, do jeito que sempre foi disseminando na academia: a velha liberdade de expressão. Então, por que temer? Se escolhemos uma profissão que nos convida a entender os conceitos, os modelos e as estratégias de comunicação, é muito importante que nós aprendamos a nos comunicar com o mercado de trabalhando: pensando e  agindo como ele, atendendo-o em suas necessidades e nos preparando para novos desafios, sempre.

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Tsunami institucional: o gerenciamento de crise na era das novas mídias

Lidar com crise não é fácil, especialmente quando não se tem um plano de enfrentamento e controle. Para que venhamos entender como sobreviver durante e depois de um “tsunami institucional”, é importante que conceitualmente compreendamos crise diferentemente de problema. Uma empresa pode vários problemas a resolver e não enfrentar crise alguma. Porém, numa crise a instituição precisa resolver dezenas de problemas.

Crise é um acontecimento imprevisível com capacidade para provocar prejuízos expressivos a uma empresa e seus colaboradores, fornecedores, clientes e parceiros. Quando mal administrada, pode prejudicar seriamente o conceito e a imagem da instituição e das suas marcas e produtos. Diante dela é fundamental agir com rapidez, identificando e analisando as causas e sua amplitude, visando tomar as providências necessárias para amenizar seus efeitos.

Mas o tempo está bom para os profissionais de comunicação. Segundo os especialistas, em momentos de crise, cresce de importância a função da comunicação, cuja gestão deve ser conduzida por profissional tecnicamente capacitado e com valores éticos bem definidos. Será ele quem deverá informar com clareza, objetividade e transparência os fatos para os públicos estratégicos criando um canal verdadeiro e de alta credibilidade. Esse gestor administrará todo o processo da gestão de crise, envolvendo todos os atores internos e externos essenciais para que a empresa enfrente a “tormenta” com coragem.

E quando a crise surge, o que fazer? Apesar de ter formação em gestão de crise institucional, nunca enfrentei uma grave situação. Mas minha experiência recomenda:

• Mantenha a calma e prepare-se para lidar com situações complexas e de conflito;

• Segure a língua e não saia falando sem saber o que de fato aconteceu. “Em boca fechada não entra mosca”. Se não tem informações claras ou consistentes, declare à imprensa que você irá se informar e voltará a falar mais tarde. Mas fale mesmo!

• Não tenha medo de falar a verdade. Se você não falar, alguém vai falar por você, só que não necessariamente a verdade;

• Seja ágil em sua resposta para a mídia. A sua agilidade vai evitar os “boatos”;

• E muita atenção: jamais minta. Como você sabe, “a mentira tem pernas curtas”. Quando alguém descobrir que você está mentindo, o último e mais precioso recurso que lhe resta, a boa vontade da opinião pública, estará perdido. Recomeçar a falar a verdade, fazer o caminho de volta vai ser muito mais desgastante, inclusive financeiramente.

Mas lidar com a crise exige conhecimento de estratégias de enfrentamento nos espaços tradicionais e virtuais de relacionamento. Com a chegada das novas mídias, o acesso massivo a informação ao mesmo tempo, em qualquer parte do mundo exige que os comunicadores empresariais desenvolvam novas habilidades. O velho e bom release continua valendo, mas a sua versão sintética para o twitter, por exemplo, precisa ser tão esclarecedor quanto ele. As declarações em rádio em televisão continuam surtindo efeito, mas tê-las disponíveis em seus canais empresariais no youtube, site, blog e na comunidade Orkut, por exemplo, é tão valioso quanto.

Nesse novo ambiente das relações com a imprensa e clientes, há vantagens e desvantagens na hora de gerir uma crise. Os maiores empecilhos estão na capacidade de multiplicação de um fato simples, até transformá-lo num acontecimento de grande repercussão. Um boato, por exemplo, se espalha como um vírus mortal para a imagem de pessoas e empresas. É preciso que estejamos preparados para lidar com esses ataques.

Mas também há vantagens. Entre elas podemos destacar a capacidade de manter uma gestão em tempo da crise, onde é possível monitorar as causas e efeitos com mais agilidade. Cada vez mais os profissionais de imprensa estão buscando informação diretamente nos sites, blogs e twittters das empresas, buscando receber informações em tempo real, o que facilita o processo de disseminação de conteúdo.

Com isso, para superar uma crise em tempos de mídias de relacionamento, ainda vale a mesma recomendação de sempre: fale a verdade e com rapidez, seja por qual meio for. E aqui um conselho: jamais repita o erro Joseph Goebbels, ministro de propaganda de Hitler, que afirmava categoricamente: “minta, minta, minta... um dia será verdade”.

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